| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Accipitriformes |
| Família: | Accipitridae |
| Vigors, 1824 | |
| Subfamília: | Accipitrininae |
| Vigors, 1824 | |
| Espécie: | B. brachyurus |
O gavião-de-cauda-curta é uma ave da ordem dos accipitriformes, da família Accipitridae.
Os nomes populares da espécie em diversos idiomas traduzem literalmente o significado do nome científico. A denominação brachyurus significa cauda curta; “brachy” (latim) é curto, achatado, enquanto que “uros” é cauda. Entretanto, a cauda desta espécie não é significativamente menor em relação ao corpo, sendo até mesmo mais longa que a de algumas espécies aparentadas, como o gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus). Também é chamado de butio, gavião-pombo.
Seu nome científico significa: do (grego) buteo = abutre, urubu; e do (grego) brakhus = curto, curta; e ouros, oura com cauda, cauda. ⇒ Abutre de cauda curta ou “gavião” de cauda curta.
Mede cerca de 35 a 45 centímetros de comprimento, sendo as fêmeas maiores que os machos.
O morfo claro tem as partes superiores e lados da cabeça pretos no adulto e pardos no imaturo, partes inferiores branco puro; na plumagem de imaturos morfo claro, as partes inferiores são bem amareladas.
O adulto pode ser facilmente confundido com o morfo claro do gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus), mas possui asas mais curtas e arredondadas, cauda proporcionalmente maior e toda barrada, e as rêmiges mais escuras (exceto as primárias, que têm uma área branca bem marcada na base). Pousado, as pontas de suas asas não ultrapassam a cauda.
O morfo escuro tem plumagem escura, quase negra, também com as secundárias mais escuras do que as primárias. Devido a essa característica, tem silhueta muito semelhante à do urubu-preto (Coragyps atratus) em voo. Imaturos morfo escuro podem apresentar considerável variação na plumagem, que tanto pode ser sarapintada de branco, quanto completamente escura como nos adultos.
O padrão e quantidade de barras na cauda também é variável nas aves da Flórida - EUA, especialmente em imaturos, e existem evidências de que o mesmo possa ocorrer no Brasil (Monsalvo, 2014).
Possui duas subespécies:
(Clements checklist, 2014).
Apesar de o morfo claro aparentemente ser mais frequente em certas localidades no âmbito da subespécie típica, e mesmo em algumas populações de B. b. fuliginosus, sabe-se também de algumas áreas da América do Sul onde o morfo escuro predomina (Monsalvo, 2014).
O melanismo consiste no aumento da produção de melanina, conferindo coloração mais escura ao indivíduo. Indivíduos melânicos se associam normalmente com outros indivíduos da mesma espécie, já que o melanismo não traz doenças associadas como o albinismo.
O caso dos rapinantes
Algumas espécies de rapinantes apresentam o chamado polimorfismo de coloração; ou seja, indivíduos de uma mesma espécie, mesma população, mesma idade e mesmo sexo apresentam padrões cromáticos significativamente distintos, que podem ser classificados em um número limitado de formas denominadas ‘morfos’. Ao contrário de espécies distintas, indivíduos pertencentes a diferentes morfos de uma mesma espécie podem cruzar entre si e produzir descendentes férteis (Monsalvo, 2014). Nesses casos, os indivíduos melânicos são chamados de morfo escuro, fase escura, ou o termo em inglês “dark morph”.
Em uma mesma ninhada, é possível haver indivíduos de morfos diferentes. Os rapinantes “morfo escuro” na maioria das vezes apresentam essa coloração pelo resto da vida. Essa característica dificulta a identificação dessas aves em campo, já que podem ser confundidas com outras espécies de coloração escura.
Embora estudos mais antigos mencionem uma dieta variada de répteis, invertebrados, anfíbios e roedores, dados obtidos posteriormente confirmaram que a espécie é um predador especializado em aves, mostrando adaptações tanto morfológicas quanto comportamentais para sua captura. Normalmente capturam pequenas aves dando voos rasantes na copa das árvores. Em regiões tropicais, entretanto, pode ter uma dieta um pouco mais diversificada, devido à maior disponibilidade de presas.
Há exibições aéreas do macho, acompanhadas de vocalizações. Nidifica no topo de árvores de 12 a 30 metros de altura. Os ovos são geralmente manchados, de cor muito variável. O período de incubação é de 32 a 39 dias. Embora haja frequentemente dois ovos, muitas vezes desenvolve-se apenas um filhote. Os filhotes permanecem no ninho por um período em torno de 5 semanas (Monsalvo, 2012).
O macho é o único responsável pela alimentação da família durante boa parte da nidificação. Em um estudo em um parque urbano de São Paulo - SP (Monsalvo, 2012), o filhote foi alimentado pelo menos até os 3 meses de idade, e só abandonou a área do ninho com 4 meses. Aparentemente os filhotes ainda permanecem no território dos pais pelo menos até os 6 meses de idade, tornando-se adultos apenas com 2 ou 3 anos.
Habita campos com árvores, áreas florestadas permeadas de vegetação aberta e áreas urbanas. Normalmente é encontrado sozinho, ocasionalmente aos pares. Tende a passar despercebido devido ao fato de passar a maior parte do dia planando a grande altitude.
Diversos estudos têm demonstrado que esta espécie parece ser mais comum do que se supunha. Há ainda indícios de que suas populações estejam aumentando devido à sua adaptabilidade a alterações antrópicas.
Em muitas regiões onde foram mais bem estudados - na Argentina, nos EUA e no Brasil - o morfo escuro mostrou ser a forma mais comum. Paralelamente, observações de Meyer (2004) e Monsalvo (2012) sugerem que esta forma seria geneticamente dominante ao morfo claro.
A aparência do morfo escuro poderia ser outra causa de esta espécie passar despercebida, já que esses indivíduos facilmente são confundidos com o urubu-preto (Coragyps atratus), com o qual costuma compartilhar as térmicas. Monsalvo (2012, 2014) sugeriu que essa semelhança possa ser um caso de mimetismo agressivo, como o apresentado pelo gavião-urubu (Buteo albonotatus).
Desde o sul dos Estados Unidos e México até a Argentina e Paraguai, e em todo o Brasil.
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: